Gestão de Carreira

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Autora: Naiany Ribeiro Gomes Almeida

Introdução

Carreira é um processo que se leva tempo para ser formada. Difere-se de emprego por ser algo duradouro, e não apenas como meio de se obter uma remuneração a cada período de tempo. Cada decisão tomada na vida profissional (e em alguns casos na vida pessoal) influencia nessa construção. Ao tempo em que se é formada, pode acontecer imprevistos que podem atrapalhar nessa formação, para tanto, um meio de evitar que ocorra ineficácia, é fazer um planejamento detalhado.

Para definir a profissão, existem várias ferramentas de pesquisa disponíveis de maneira facilitada. Tais ferramentas auxiliam o trabalhador na tomada da decisão mais importante para se iniciar a carreira – a escolha da profissão certa, a qual a pessoa vai trabalhar com prazer.

Em tempos modernos, o perfil do trabalhador atual é a de uma pessoa melhor preparada, globalizada, perfil esse que ajuda na ascensão profissional.

Diferença entre Emprego e Carreira

Ao se falar sobre carreira, faz-se necessário diferenciá-la de emprego. Apesar de parecerem sinônimos, são atividades distintas.
Emprego é uma atividade profissional que gera recursos financeiros a cada período de tempo. Carreira é um conjunto de decisões que o empregado toma ao longo de sua vida profissional, isto é, o emprego trata de atividades presentes, e carreira se contrasta por ser uma série de ações tomadas com vistas no futuro.

O emprego depende, prioritariamente, das decisões da empresa e carreira se forma através das decisões pessoais. Tem-se que emprego é uma situação temporária, subordinada à obediência das ordens da instituição que se trabalha; a carreira só é amadurecida ao passo que as decisões e ações são de cunho à ascensão pessoal, ou seja, a carreira é uma preparação contínua para o próximo emprego.

Carreira concatena à ideia de empregabilidade – capacidade de adequação do profissional às novas tendências do mercado. Também trata sobre a capacidade de o empregado trabalhador passar imune ou, ao menos, possuir ferramentas necessárias a solucionar os problemas e os riscos que venham surgir frente à carreira ou inerente ao mercado de trabalho.

Empregabilidade

Empregabilidade é um termo que foi criado na década de 90 por José Augusto Minarelli, e estabelece 6 pilares que garantem a segurança profissional do indivíduo:

1 – Adequação da profissão à vocação – o profissional que trabalha com o que gosta;

2 – Competências – preparo técnico e habilidades;

3 – Idoneidade – trata os parâmetros éticos e responsabilidades individuais;

4 – Saúde física e mental – corpo e mente saudáveis faz a pessoa desenvolver melhor suas atividades;

5 – Reserva financeira e fontes alternativas de aquisição de renda – defesa à possibilidades de necessidade de recursos financeiros;

6 – Relacionamentos – também chamado de networking, onde, através dessa rede que surgem muitas oportunidades profissionais.

Planejamento da Carreira

A carreira não é formada em um curto período de tempo, é um processo longo e, portanto, deve-se haver um prévio planejamento, definição de metas, compromissos, enfim, com tantas premissas, gerir a carreira, por não se tratar de uma tarefa fácil, o planejamento é essencial.
Planejar a vida estrategicamente não envolve somente a criação de estratégias para a realização de metas específicas. A simples aplicação de técnicas isoladas, desvinculadas de um processo de autoconhecimento, ou com um fim específico, tem se demonstrado ineficaz. As mais recentes pesquisas na área de comportamento humano concluíram que o processo de desenvolvimento não ocorre isoladamente, mesmo de uma habilidade específica. É estar atento ao todo, para que a pequena parte em questão se desenvolva adequadamente. O simples fato de se estar mudando uma pequena parte em si mesmo já afeta o todo de alguma forma. É o equilíbrio natural da vida, se dermos atenção demais a uma determinada parte em detrimento das outras, o desequilíbrio se fará notar em algum ponto. (CHRISTY, 2002, p.20.).

Planejamento é o ato de definir metas para se alcançar um objetivo, projetar um trabalho. Segundo Chiavenato (2003), o ato de planejar se dá em seis passos:

1 – Definir os objetivos;
2 – Verificar qual é a situação atual em relação aos objetivos;
3 – Desenvolver premissas relativas às condições;
4 – Analisar as alternativas de ação;
5 – Escolher a melhor entre as várias alternativas;
6 – Implementar o plano e avaliar os resultados.

Esses seis passos podem ser compactados e traduzidos em uma ferramenta com 4 passos: Plan, Do, Control, Action, o conhecido ciclo PDCA, porém, Chiavenato é mais detalhista ao definir o processo de planejamento.

O ciclo PDCA traduz-se da seguinte forma:

P- plan – planejamento, definição de metas e formas de para alcançá-las;
D – do – fazer, é a execução dos planos;
C – control – controle, análise das metas já executadas;
A – action – ação, ou atuação sobre os resultados alcançados.

Como, para se obter sucesso em qualquer coisa que se faça, e, carreira não se constrói sem prévio planejamento, é necessário que, a princípio, a pessoa saiba adequar seu talento, aptidão e sua profissão seja uma em que o profissional se sente bem. Sem esses requisitos é impossível construir uma carreira sólida.

De certa maneira, as premissas citadas no parágrafo anterior podem acontecer naturalmente se o trabalhador não pensar apenas na remuneração percebida por cada trabalho que realizar.

Preparo para continuar ou evoluir em um cargo é fundamental, para tanto, o estudo deve ser praticamente contínuo, e, o conhecimento não é adquirido apenas com cursos, as experiências práticas contam muito, em alguns casos pesam mais que uma certificação ou um diploma. Com vistas em adquirir maiores recursos para evoluir em uma empresa, ou mesmo evoluir como profissional e ser reconhecido por isso, mais uma vez deve-se frisar a importância de se planejar como, quando, onde e por que realizar tal “especialização”. E, conciliar trabalho e estudo nem sempre é tarefa fácil, e sendo essencial para a profissão, um planejamento bem feito se torna um dever sem o qual se corre o risco de perder tempo e recursos.

Em resumo, definido aonde se quer chegar, o planejamento pode ser feito respondendo os seguintes questionamentos:

O que? (O que se quer fazer, definição do objetivo);

Por quê? (Essa pergunta traz a resposta que define se realmente é necessário passar por todas as etapas para se chegar ao objetivo, é como se fosse uma validação do objetivo);

Como? (Como fazer, definição e análise dos recursos e presente situação, é a distância entre a presente situação e o objetivo);

Quando? (Momento em que se vai começar a realizar as etapas para chegar ao objetivo – também pode ser uma previsão de quanto tempo será gasto para chegar ao objetivo);

Quanto? (Saber o quanto será gasto define se o objetivo é palpável, sem essa “previsão”, pode-se gastar mais que o necessário, ou mesmo, haver falta de recursos na execução do projeto limitando o objetivo, ou mesmo o tornando inalcançável);

Quais recursos? (Essa pergunta serve como complemento da pergunta anterior, através da qual se é definido os recursos que se tem e o que vai ser necessário adquirir para a execução do projeto).

Não basta apenas ter um bom planejamento ou um projeto bem elaborado e estruturado para se alcançar a meta. É preciso seguir alguns elementos para se chegar à eficácia (White, 2008):

– Projeto documentado – um planejamento que está documentado (em papel) passa a ter maior valor e o executor passa a dar maior relevância ao projeto.

– Dedicação – no projeto que se há dedicação tende a ser completado com sucesso;

– Assertividade – análise do projeto, se premissas foram incluídas realmente relevantes e essenciais para a execução de cada meta – são medidas de assertividade que evitam a realização de metas errôneas;

– Prazos – a existência de prazos torna o projeto com tempo certo para a execução de cada meta, de certa maneira, faz com que o executor se torne mais dedicado, e, a cada prazo cumprido, o projeto tem a visualização de mais próximo de se alcançar o objetivo;

– Organização – atividades realizadas com organização tornam-se mais fáceis de serem executadas;

– Obstáculos – a previsão de obstáculos nem sempre é tarefa fácil, mas, é de suma importância, pois, na execução de projetos, algumas coisas inesperadas podem acontecer, e, se há uma reserva de recursos para driblar tais empecilhos, o projeto tem maior probabilidade de ser encerrado com eficácia;

– Recursos – como já frisado anteriormente, os recursos são os pilares da execução de um projeto;

– Avaliação – a cada passo dado ou alcançado, pode-se realizar uma avaliação para saber se o projeto está sendo encaminhado para o caminho certo, e, nesta etapa, visualizam-se quais são as medidas ou etapas que devem ser substituídas ou mantidas (medidas de assertividade);
Ferramentas de Pesquisa

Como primeiro passo para a definição de que profissão seguir existe várias ferramentas de pesquisa. Antes de serem abordadas tais ferramentas, cabe-se a citação das fases da carreira para que haja a interação desses meios de pesquisa.

A carreira, segundo alguns estudiosos, passa por fases como um ser vivo: nasce, cresce, amadurece e se perpetua (Farias, 2005).

O nascimento da carreira se inicia com muita informação, formação e conhecimentos úteis relativos à vida profissional. Passa-se para a fase seguinte se haver alimentação e dedicação tanto no ambiente profissional quanto na vida pessoal, onde se deve atentar que na vida pessoal, a pessoa deve manter hábitos saudáveis e lembrar que mesmo longe do ambiente de trabalho a profissão ou emprego está sendo “avaliado”, ou seja, as atitudes em ambiente divergente ao do trabalho influenciam no emprego, o qual há chefes que não querem manter na empresa pessoas que não possuem boa índole.

A fase onde há o crescimento da carreira é o aperfeiçoamento da profissão, onde não se deve deixar de gerar conhecimento à cerca da profissão e a capacidade e a competência é analisada praticamente o tempo integral.

Na fase do amadurecimento, o profissional já é reconhecido por suas competências e o cuidado maior que se deve ter são com os hábitos pessoais, onde se deve levar uma vida saudável a sério.

A perpetuação da carreira é quando o profissional passa adiante os conhecimentos adquiridos durante a carreira.

Ao fim da citação das fases da carreira, cabe a indicação das ferramentas de pesquisa para as profissões, onde, a carreira e a fase em que se encontra influencia na escolha do local de trabalho. Geralmente, ao iniciar a carreira, o profissional é escolhido pela empresa, e, nas fases seguintes, pode escolher se aceita ou não a empresa em que vai trabalhar.

Na internet existem sítios que mostram pesquisas sobre as carreiras. Recentemente foi realizada uma pesquisa informando as melhores e piores profissões para o ano de 2013, onde o site careercast.com, com a matéria “Jobs Rated 2013: Ranking 200 Jobs From Best To Worst” indica 200 profissões e enumera as melhores profissões.

Fonte: http://www.careercast.com/jobs-rated/best-worst-jobs-2013 – Acesso em 26/04/2013

Ainda, a Fundação Getúlio Vargas, junto com dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveu vários índices que auxiliam na análise da situação atual do profissional.

O Índice-Você “mensura o potencial de crescimento de um profissional, analisando-o a partir dos dados coletados pela PNAD, a pesquisa do IBGE que melhor retrata a realidade socioeconômica brasileira.

A metodologia do índice utiliza uma amostra segmentada que considera as características das populações entre 25 e 45 anos, que possuam Internet residencial e, pelo menos, a graduação completa, normalizando seus resultados entre 0 e 1.000 pontos.”

Fonte: (http://www.cps.fgv.br/ibrecps/IV/indice/index.asp) – Acesso em 26/04/2013

O Índice Você na Universidade também é uma ferramenta que aponta à pessoa (através dos micro dados obtidos pelo IBGE em 2010) a situação de uma pessoa formada – o índice mostra várias formações – com relação ao salário médio, jornada de trabalho semanal, taxa de ocupação e cobertura previdenciária.

Fonte: (http://www.cps.fgv.br/cps/bd/educ/simula/) – Acesso em 26/04/2013

Além dessas ferramentas é possível encontrar outras maneiras de obter dados sobre profissões ou empresas para se consolidar como trabalhador. A revista Exame e a Você/SA, além de outros periódicos, publicam anualmente através do Índice de Felicidade no Trabalho (que aponta a felicidade no ambiente de trabalho dos empregados) as melhores empresas para se trabalhar.

Eis algumas ferramentas úteis, e de fácil acesso para se tomar a difícil decisão de qual profissão seguir (sem olvidar a competência e aptidão pessoal), e onde se pode consolidar a carreira. Além dessas ferramentas, a pesquisa pessoal sobre a empresa que se pretende entrar através de questionamentos aos próprios funcionários é de suma importância, pois assim se tem uma real visão do ambiente de trabalho, onde se obtém a informação de perspectiva de crescimento profissional dentro daquela empresa.

Perfil Profissional Atual

Antigamente, havia uma abundância de empregos. Analisando a Revolução Industrial, onde os trabalhadores foram substituídos por máquinas, pode-se dizer que desde então o emprego se tornou mais difícil de conseguir. E o presente é marcado não somente pela utilização de máquinas industriais que precisavam de operadores que nem precisavam muito de conhecimento, mas, nessa era tecnológica, a operação exige um conhecimento mais elevado, o que faz o descarte de um número considerável de pessoas. Gente que não busca aperfeiçoamento.

Apesar de políticas públicas serem adotadas para a maximização da oferta de emprego, a demanda não satisfaz plenamente a procura. E, por haver a possibilidade dos trabalhos humanos serem desenvolvidos “pelas” tecnologias, o cenário atual exige que a pessoa tenha preparo e informação, dedicação constante perante o conhecimento de novas tecnologias que chegam diariamente em grande número ao mercado.

O profissional que quer construir a carreira deve se atentar às tantas novidades que compõem a atualidade. E, também, não basta ter (apenas) conhecimentos sobre a área da carreira escolhida. Como hoje em dia o mundo está todo conectado, e o mercado profissional está interligando toda e qualquer profissão, estar atualizado é requisito fundamental para uma melhor gestão da carreira.

O mundo está globalizado, fazer parte dessa globalização não torna o mantimento da carreira algo simples, mas, através de empenho, organização e planejamento, é possível se tornar um profissional renomado.

A cada período que se passa, surgem muitas profissões, formações, enfim, uma profissão que hoje pode estar em falta, em um futuro não tão distante, pode estar contando com profissionais em excesso.

A Revista Exame, em dezembro de 2012, lista 30 profissões que estão em alta no mercado de trabalho para o ano de 2013, dentre as quais, as engenharias e profissões especialistas em combustíveis se fazem as melhores para trabalhar no Brasil.

Fonte: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/30-profissoes-em-alta-em-2013) – Acesso em 26/04/2013

Segundo uma reportagem do sítio administradores.com, houve uma pesquisa feita pelo Grupo Catho, onde se expõe:

Uma pequena amostra das exigências atuais de avaliação no exame de seleção profissional é o resultado de uma das pesquisas feitas pelo Grupo Catho, com 13.600 profissionais disponíveis no mercado de trabalho. O levantamento mostrou que 30,10% dos trabalhadores brasileiros foram demitidos por não apresentarem os resultados desejados pela empresa.

Uma das pesquisas do Grupo Catho verificou que grande parte das demissões acontece por falta de visão sistêmica, ou seja, o profissional não apresenta a capacidade de olhar o departamento que administra como parte de um grande negócio chamado empresa, e a habilidade de saber lidar com todos os demais departamentos. Isso significa que as empresas estão cada vez mais exigentes na seleção dos empregados.

Em alguns casos, a pesquisa mostra que os profissionais não sabem expor suas ideias [sic] ou não apresentam iniciativa de fazer o que precisa ser feito, alguns outros não demonstram comprometimento e outros ainda não têm maturidade. Hoje em dia, o nível de exigência das organizações é muito alto. Nas multinacionais, por exemplo, um supervisor tem que ser formado em engenharia, ter treinamento na área de qualidade, noções de ISO 9000 e, para completar, possuir MBA (Master of Business Administration).

Fonte: (http://www.administradores.com.br/noticias/administracao-e-negocios/gestao-carreira-profissional-ideal-para-o-mercado-atual/10862/) Acesso em: 26/04/2013

Por fim, é cabível ressaltar que o profissional atual deve se atualizar, dedicar-se a obter conhecimentos relevantes à profissão, saber planejar e gerir a carreira a cada momento.

Conclusão

Formar uma carreira é um processo que requer dedicação, planejamento, atualização. O profissional que pensa apenas na remuneração ao fim de determinado período dificilmente constrói uma carreira. Aquele que se dedica a obter conhecimentos relativos à carreira busca experiências, sabe planejar para chegar aos objetivos, tem chances de construir essa tão mencionada carreira.

Não é um processo simples, a paciência do trabalhador deve ser justificada pelo objetivo de ao final da alimentação da carreira em suas fases, será recompensada com a perpetuação da mesma, onde, nessa fase, seus conhecimentos adquiridos ao longo da vida profissional serão requisitados para aperfeiçoamento de novos trabalhadores e melhores técnicas de trabalho em determinadas empresas.

O perfil profissional atual exige que haja formação, iniciativa e experiência.

Referencias bibliográficas

CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

CHRISTY, Fran. Planejamento Estratégico Pessoal. Nova Iorque: Strategic Dreams, 2006.

FARIAS, Edvaldo de. Planejamento e Gestão da Carreira Profissional. Rio de Janeiro. Sprint, 2005.

WHITE, Aggie. Planejamento de Carreira e Networking. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/47638/gestao-de-carreira#!4#ixzz3TtBZRWKJ